OBRAS

 

 “A FILOSOFIA DE KANT OU PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA FILOSOFIA TRANSCENDENTAL”.   Traduzido de Charlles Villiers: Philosophie de Kant, ou Principes fondamentaux de la philosophie transcendentale, 1801.

“ENSAIO SOBRE O HOMEM”, de Alexandre Pope, traduzido verso por verso:dado à luz por uma Sociedade Litteraria da Gran Bretanha.Trad . por Francisco Bento Maria Targini. Londres, s / d, 4.· gr .,3 tomos, com XXIV-380 pági nas, 232 páginas, e 331 pág inas . (11,597), pág. 352.) [Pope, Alexander, An Essay on Man. Address’d lo a Friend, London1732-34].”

“TRADUÇÃO DO MESSIAS –  ÉCOGLA SAGRADA”, em versos, publicada em Londres, em 1819.

“À  MEMÓRIA DE BARTHOLOMEU MONTANO”, médico do Hospital Real de S. José, sócio correspondente da Real Academia das Sciencias de Lisboa, &c.

“ODE AO CONDE DE ARCOS, NO DIA DE SEU ANIVERSÁRIO”.

Lido, pelo autor, no dia do aniversário do Conde de Arcos”.  Manuscrito encontrado juntamente com originais de Thomaz Antônio Gonzaga do poema “O Naufrágio do Conceição”.

“O PARAISO PERDIDO” -1823 – Tradução, com anotações e comentários, do poema épico de   JOHN  MILTON.  2 vol.  Paris: Tipographia  de Firmino  Didot.

(Pode ser baixado pelo site do Google

 

Capa da Edição original de O Paraiso Perdido, de John Milton

Capa da Edição original de O Paraiso Perdido, de John Milton

Paraíso Perdido, livro 1, vv. 1-64

Tradução de Francisco Bento Maria Targini

Visconde de São Lourenço

 

 

 

 

 

 

TRECHO DE POESIA NO ORIGINAL COM A TRADUÇÃO FEITA POR FRANCISCO BENTO MARIA TARGINI

John Milton, Paradise Lost, Book I, vv. 1-58:

 

Of Man’s first disobedience, and the fruit
Of that forbidden tree whose mortal taste
Brought death into the World, and all our woe,
With loss of Eden, till one greater Man
Restore us, and regain the blissful seat,
Sing, Heavenly Muse, that, on the secret top
Of Oreb, or of Sinai, didst inspire
That shepherd who first taught the chosen seed
In the beginning how the heavens and earth
Rose out of Chaos: or, if Sion hill
Delight thee more, and Siloa’s brook that flowed
Fast by the oracle of God, I thence
Invoke thy aid to my adventurous song,
That with no middle flight intends to soar
Above th’ Aonian mount, while it pursues
Things unattempted yet in prose or rhyme.
And chiefly thou, O Spirit, that dost prefer
Before all temples th’ upright heart and pure,
Instruct me, for thou know’st; thou from the first
Wast present, and, with mighty wings outspread,
Dove-like sat’st brooding on the vast Abyss,
And mad’st it pregnant: what in me is dark
Illumine, what is low raise and support;
That, to the height of this great argument,
I may assert Eternal Providence,
And justify the ways of God to men.

Say first—for Heaven hides nothing from thy view,
Nor the deep tract of Hell—say first what cause
Moved our grand parents, in that happy state,
Favoured of Heaven so highly, to fall off
From their Creator, and transgress his will
For one restraint, lords of the World besides.
Who first seduced them to that foul revolt?

Nine times the space that measures day and night
To mortal men, he, with his horrid crew,
Lay vanquished, rolling in the fiery gulf,
Confounded, though immortal. But his doom
Reserved him to more wrath; for now the thought
Both of lost happiness and lasting pain
Torments him: round he throws his baleful eyes,
That witnessed huge affliction and dismay,
Mixed with obdurate pride and steadfast hate.

 

 

TRADUÇÃO POR FRANCISCO BENTO MARIA TARGINI

Livro 1, vv. 1-64:

A primeira fatal desobediência
Do homem, e da vedada árvore o fruto,
Cujo gosto mortal ao mundo trouxe
A morte e todas as desgraças nossas,
Co’a perda de Éden, até que um outro homem
Maior nos restaurasse a posse dele;
Canta, celeste Musa, que do oculto
Cimo do Horeb ou do Sinai ditaste
Ao Pastor, que primeiro à raça eleita
Ensinou como foram no princípio
Céus e Terra do Caos levantados!
E se mais te deleita o monte Sion
De Siloé as águas, que avizinham
De Deus o oráculo, Eu de lá invoco
O auxílio teu a meu ousado canto,
Que não com médio voo sublimar-se
Do Aônio monte acima quer, traçando
Ação jamais cantada em prosa, ou verso.
E tu principalmente, ó Divo Esp’rito,
Que preferes aos templos um sincero
E puro coração: Ó tu me inspira,
Pois que antes de haver tempo tudo vias.

E qual a Pomba sob as pandas asas
O abismo fecundaste; ora dissipa
Da mente minha as trevas, o que humilde
Tiver levante, afim que altas ideais
Correspondam do assunto à gravidade,
Para que a Providência eterna prove
E de Deus justifique a Lei aos homens.
Dize primeiro, pois que o Céu, e Inferno
Nada pode ocultar-te; a causa dize,
Que moveu nossos pais, de glória cheios,
E do Céu tão queridos, a perderem
Do Criador a graça, transgredindo
Sua vontade num leve preceito;
Do mundo sendo todo já senhores?
Quem primeiro à revolta os seduzira?
O Dragão infernal foi com astúcia,
Por inveja movido, e por vingança,
Quem a mau enganou da humanidade
No tempo em que dos Céus aquele espírito
A soberba expulsara, com as hostes
Dos rebelados Anjos que o seguiram,
E com que pretendera sublimar-se
De seus iguais acima, pressupondo
Do Altíssimo igualar a onipotência,
Se lhe obstasse; movendo ambicioso,
Contra o trono de Deus e monarquia,
Crua guerra no Céu, precipitando de cabeça,
Ardendo em raios das esferas que ara,
Num abismo sem fim de fogo eterno,
Onde atado a grilhão diamantino
Jazerá para sempre atormentado,
Por competir ousar com Deus superno.
Nove sóis, nove noites, aos humanos
O tempo repartira, enquanto rolam
O Espírito infernal e seus sequazes,
Através o ígneo golfo já vencidos,
E em confusão horrível misturados;
Sem lhes valer o ser de imortais entes:
Tal condição ao chefe derrotado
Aumenta muito mais a dor, a raiva,
Vendo agora o bem alto que perdera,
E o tormento sem fim em que jaz.