NOMEAÇÃO DE TARGINI

Desde há muito tempo, ouvia-se na Corte notícias preocupantes, que chegavam sobre a má administração do antigo território da Capitania do Siará Grande, agora pertencente a Pernambuco.

A terra fora de difícil conquista, em virtude dos corajosos e indomáveis índios que ali viviam e defendiam suas terras dos invasores, que os chamavam depreciativamente de Tapuias, mas, na verdade, pertencentes às inúmeras e bem constituídas tribos, com suas culturas milenares, entre as quais as dos Tabajaras, Quixadás, Cariris e Potiguaras.

Também a invasão do Nordeste, pelos holandeses, de 1624 a 1654 impediu a administração da terra pelos portugueses, durante este período. Agora, com os índios, quase todos pacificados e os holandeses vencidos, os portugueses se instalaram inicialmente no Forte de Shoonenborch, deixado pelos invasores. Rebatizado como Forte de Nossa Senhora de Assunção, foi adaptado para ser o quartel e a sede do governo, por algum tempo.

Fortaleza cercada por um rio, que poderia se tratar do Forte Holandes(1675 ou 1699)

Pintura do Forte Schoonenborch,  desenhado pelos holandeses

Forte Schoonenborch, desenhado pelos holandeses

Esquema do Forte desenhado pelos holandeses – 1649

mapa da POVOAÇÃO DE FORTALEZA

Povoação de Fortaleza, com colégio dos jesuítas e Forte, desenhada por um padre jesuíta.

 

Desde 1726, quando o povoado do forte foi elevado à condição de vila e se tornou território da Capitania de Pernambuco, as administrações portuguesas se sucediam de maneira atribulada e insatisfatória. Os habitantes do Ceará sentiam-se muito prejudicados, pela dependência política e administrativa de Pernambuco.

Com a nomeação, em 1782, do fidalgo João Batista  de Azevedo Coutinho de Montaury, como governador, com o título de  Capitâo-Mór, o qual se submetia ao Capitão-General de Pernambuco, esperou-se que, pela sua severidade, a disciplina se imporia, mas a situação, em menos de um ano, somente piorou.

Com Montaury, fora nomeado o novo Ouvidor da Comarca, André Ferreira de Almeida Guimarães,

Como relatam diversos documentos apresentados pelo historiador Guilherme Studart, em seu livro  “Notas para a História do Ceará”, sabe-se que Montaury era uma pessoa irritada, mesquinha, invejosa, provocador e cheia de ódios, que não admitia ser contrariado. Analisando-se sua trajetória de vida, hoje em dia, seria, talvez, classificado como de temperamento bipolar, com mania de perseguição.

Conta Studart: “Desde as primeiras partes oficiais escritas para Pernambuco e Lisboa, foi empenho de Montaury malquistar e demitir do emprego ao ouvidor, seu desafeto, e nesse intuito estava continuamente a assacar-lhe as imputações as mais graves e culposas, chegando a enviar para o Reino de uma assentada, cinquenta documentos comprombatórios de suas queixas..

No desejo de realizar os planos, que o ódio sugeria-lhe, lembrou-se Montaury de pintar aos políticos de Lisboa a Capitania nadando em sangue, abrasando-se em imenso incêndio de revolta e indisciplina, caso o ouvidor não fosse demitido”.

Estando as coisa neste estado, Francisco Bento Maria Targini, pela fama que tinha de possuir grande bom senso, além da erudição e competência administrativa,  foi, como atesta Studart, ” nomeado, em 1783, como escrivão da Provedoria da Capitania do Ceará, mediante Patente Régia de Sua Magestade, a Rainha D. Maria I, com todos privilégios que o alto cargo trazia, e com ordenado igual ao soldo do Capitão Mor e Governador”.