BIOGRAFIA

Francisco-Bento-Maria-Targini“GRAVURA que ilustra a tradução feita por Francisco Bento Maria Targini do livro “Ensaio sobre o Homem”, de Alexandre Pope, 1819. Buril aquarelado por: Silva, Henrique José da, 1772 – 1834 – PT; Queirós, Gregório Francisco de, 1768 – 1845, grav. met REF.EXT.: E. Soares _ Dic. icon., 3268 A

 

 I – FRANCISCO BENTO MARIA TARGINI    

Nasceu na Freguesia de Loreto, hoje Encarnação, Portugal, em 16 de outubro de 1756.

Filho de Leopoldo Pascoale Maria Targini e Ana Teresa  Joaquina de Castro, de família portuguesa.

 

Igreja_do_Loreto                                                   Igreja do Loreto                                                                                                  Largo do Chiado – Lisboa -PT.

Francisco Bento foi batizado, na Igreja de Loreto, em 1756.

Seu bisavô, italiano de Florença, era casado com uma portuguesa e passou a morar e trabalhar em Portugal pois, antes da criação da Escola de Comércio, pelo Marquês de Pombal, era comum a vinda de financistas italianos, para realizar os serviços de contabilidade no país, onde não havia guarda-livros eficazes e funcionários preparados para isso.

II – CRISTOVÃO MARQUES TARGINI

O avô paterno de Francisco Bento, Cristóvão Marques Targini, nascido em Florença, Leonne, na Itália, de mãe portuguesa, foi também casado com uma portuguesa, Venância Rosa Siqueira Targini.

Era um requisitado guarda livros, que prestava seus serviços nas casas nobres de Portugal e servia o Marquês de Pombal, nas questões de contabilidade e da Alfândega.  Morou na rua do Marquês, em frente ao Colégio dos Nobres, na freguesia de Nossa Senhora das Mercês de Lisboa, situada na região histórica do bairro alto, que incorporou, desde sua criação,  parte da freguesia de Loreto, habitada pela comunidade italiana e famílias nobres.

Cristóvão Marques publicou um prático método de contabilidade, “O Perfeito Guarda Livros”, não sem antes requerer, em 1767,  as licenças obrigatórias. Assim, a obra foi remetida para exame a Fr. Manuel do Cenáculo. Este lhe deu um parecer ou censura muito favorável. (Dicionário Bibliográfico Português – Estudos de Inocêncio Francisco da Silva aplicáveis a Portugal e ao Brasil).

Este livro foi adotado, por muitos anos, por todos aqueles que ensinavam e  estudavam os princípios da contabilidade.

Renomado profissional, escreveu também “Novo Método para a Alfândega” em 1759, dedicado ao Marquês de Pombal e “Guia dos Cambistas”, 1759, como consta do Inventário, secção 13, manuscrito 107,  da Coleção Pombalina da Torre do Tombo e Biblioteca Nacional de Portugal.

Pelo prestígio que conquistou, após as devidas Diligências de Habilitação, em 1770 e mesmo caluniado por algumas testemunhas como herege, “que comia carne na Quaresma e parecia ser Luterano, pois lia livros proibidos”, foi aprovado pelo Tribunal do Santo Ofício, como funcionário da Coroa, para exercer a função de guarda livros das casas dos nobres, como na de  José Alves de Mira, cujas finanças estavam abaladas. (Torre do Tombo – TSO  Tribunal do Santo Ofício – Diligências de Habilitação – 1158 – Diligência de Habilitação de Cristóvão  Marques Targini 1770/1770).

INQUISIÇÃO REALIZADA PELO SANTO OFÍCIO, EM 1770, PARA OBTER INFORMAÇÕES DO GUARDA-LIVROS CRISTÓVÃO MARQUES TARGINI

INQUISIÇÃO DO SANTO OFÍCIO, EM 1770, PARA OBTER INFORMAÇÕES DO GUARDA-LIVROS CRISTÓVÃO MARQUES TARGINI

III – VIDA PROFISSIONAL

Este relato se faz necessário em virtude de uma série de erros  sobre a origem de Targini, constante em livros, artigos, teses e até mesmo dicionários, causados pelo péssimo costume de  escritores, sem consultar documentos, copiarem de autor para autor, sem qualquer análise, o que antes já fora escrito, repetindo infâmias e difamações plantadas por seus inimigos.

Pertencente a uma família de intelectuais, Francisco Bento logo se destacou pela sua inteligência e gosto pelo estudo.

Tinha grande facilidade para falar o inglês, o espanhol  e o francês, conhecia bem o latim e o grego e era grande apreciador das Artes.

Amante da filosofia, estudou os pensamentos dos filósofos da antiguidade e, principalmente, dos iluministas  Tudo lhe interessava e seus estudos lhe foram de grande valia, quando de sua vinda para o Brasil.

Tinha paixão pela geografia e pelos princípios da navegação e aprendeu, com maestria, a desenhar mapas cartográficos, paixão dos portugueses. Este interesse lhe foi muito útil, quando esteve no Ceará, para elaborar mapas da região desconhecida, com a localização das tribos indígenas e fazer estudos que redundaram em um melhor aproveitamento do porto na Enseada de Mucuripe, junto a Fortaleza.

Pode informar à Corte das riquezas encontradas na Capitania do Ceará, auxiliar navios a atracar na costa traiçoeira. Desempenhou com sucesso, o cargo para o qual foi nomeado, de Escrivão e Deputado da Capitania.

Bernardo Manoel de Vasconcelos, primeiro Governador da Província do Ceará, que se tornara autônoma de Pernambuco em 17 de janeiro de 1799, teceu grandes elogios à cultura de Targini, principalmente quando precisou recorrer a seus mapas, para melhor conhecer as terras cuja administração lhe fora confiada pela Rainha. (Anotações para a História do Ceará, Guilherme Studart).

Na Corte, por suas aptidões, sempre era chamado a esclarecer dúvidas surgidas sobre qualquer assunto e assim diziam ser ele um indivíduo “totum continens”, isto é, um faz-tudo, que conhece de tudo.

IV -POETA E ESCRITOR

Percebendo a importância dos princípios revolucionários de Emanuel Kant, fez a primeira tradução, para o português, do livro do francês Charles Villers  que, em 1801, havia traduzido e publicado o tratado sobre “A Filosofia de Kant ou Princípios Fundamentais da Filosofia Transcendental”. Em virtude disto, torna-se a obra do grande filósofo alemão conhecida e admirada pelos nossos primeiros filósofos, no Brasil, em Portugal e em todas nações de língua portuguesa, sendo sempre citado em sua publicações.

Embora fosse quase cego do olho esquerdo, isso não o impedia da leitura diária de tudo o que lhe caia nas mãos. Lia os clássicos, principalmente poesias, tanto em inglês como em francês.

Apaixonou-se pela obra de Milton, fazendo de “O Paraíso Perdido” sua obra preferida, juntamente com o “Ensaio sobre o Homem” de Alexandre Pope, dos quais fez traduções apreciadas até os dias de hoje.

A magnífica tradução do Paraíso Perdido, para o português, foi publicada em 1823, já no exílio na França, sendo até hoje considerada a melhor que já se fez deste épico. (Adriano Scandolara  –  poeta e tradutor. Blog Escamandro  – Curitiba, 1988).

V – OBRAS

Ao todo publicou, entre outros trabalhos esparsos,  poesias e sátiras:

O PARAÍSO PERDIDO”, traduzido de John Milton, : Tipografia de Firmino Didot. 1823“

“ENSAIO SOBRE O HOMEM”, traduzido de Alexandre Pope,  verso por verso: dado à luz por uma Sociedade Literária da Gran Bretanha. Trad . por Francisco Bento Maria Targini. Londres, s / d, 4. gr. 3 tomos, com XXIV – 380 páginas, 232 páginas, e 331 páginas . (11,597), pág. 352.) [Pope, Alexander,  An Essay on Man.  Address’d to a Friend, London 1732-34″ 1819.

Manuel Bernardes Branco, historiador, em seu livro “Portugal e os Estrangeiros”,  ao arrolar os feitos dos Portugueses, na literatura, nas artes, nos descobrimentos, nas expedições, na botânica, em todas as ciências, reconhecidos em todos os países, cita Francisco Bento Targini por sua magnífica tradução do Ensaio Sobre o Homem, de Pope, que “foi elogiada pelo L’Ape in Londres, The Magazine, Morning Chronicle, Star, Times e Revue Encyclopédiqiie”.PAG. 28

“TRADUÇÃO DO MESSIAS –  ÉCOGLA SAGRADA”, em versos, publicada em Londres, em 1819.

 ” À  MEMÓRIA DE BARTHOLOMEU MONTANO”, médico do Hospital Real de S. José, sócio correspondente da Real Academia das Ciências de Lisboa, &c.

“ODE AO CONDE DE ARCOS, NO DIA DE SEU ANIVERSÁRIO”.  Manuscrito encontrado juntamente com originais de Tomás Antônio Gonzaga do poema “O Naufrágio do Conceição”.

VI – TARGINI E O MARQUÊS DE POMBAL

Seu preparo e inteligência lhe possibilitaram que, em 1776, com apenas 20 anos, fosse nomeado funcionário do Real Erário, como Escrivão da Fazenda Real, embora desde os 19 anos já trabalhasse na área de contabilidade, indicado pelo Marquês de Pombal.

PORTARIA DO MARQUÊS DE POMBAL, ELABORADA POR TARGINI

PORTARIA DO MARQUÊS DE POMBAL, ELABORADA POR TARGINI

VII – TÍTULOS E NOMEAÇÕES

Em sua vida recebeu os seguintes títulos e nomeações:

1783/1787 – Nomeado, aos 27 anos, como  Escrivão da Provedoria da Capitania, mediante Patente Régia de Sua Majestade, com todos privilégios que o cargo trazia e com ordenado igual ao soldo do capitão-mor e governador. (Notas para a História do Ceará Guilherme Studart).

1799/1808 – Sendo o Ceará emancipado de Pernambuco,  em 24 de janeiro de 1799,  foi criada a Junta de Fazenda Autônoma da Capitania do Ceará, por Carta Régia da rainha, sendo Francisco Bento Maria Targini nomeado por despacho, já no dia 25, como  Escrivão e Deputado.

Esta indicação mostrou,  mais uma vez, a confiança que D. Maria I e o Príncipe D. João tinham por sua pessoa.

Ali serviu até 1808 quando, com a chegada da Corte ao Brasil, foi chamado ao Rio de Janeiro, por D. João, para compor o Conselho do recém criado Erário Régio, sendo nomeado seu Tesoureiro Mor.

1808 – FRANCISCO BENTO MARIA TARGINI, Conselheiro da Fazenda. Titulo do Conselho  por Alvará de 13 de Outubro de 1808. Livro 1.° fol. 100 e respectivamente Tesoureiro  Mor.

1811 – Agraciado com o título de Barão de São Lourenço, por decreto de 17 de Dezembro de 1811;  Alvará de 20 de Dezembro de 1811. Livro 18.° fol. 187 verso.

1819 –  Agraciado com o título de Visconde de São Lourenço, por decreto de 3 de Maio de 1819.

 – Comendador das ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, do conselho da rainha D. Maria I, etc.

VIII – VIDA E MORTE

 1791 – Francisco Bento Maria Targini, aos 35 anos,  casou-se em Lisboa, na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, pertencente à  Paroquia de São Nicolau, em 03/11/1791, com Maria Leonor de Santana Freire, nascida em  Anjos, Lisboa, em 18/07/1761.

CERTIDÃO DE BATISMO DE MARIA LEONOR FREIRE TARGINI VISCONDESSA DE SÃO LOURENÇO 1761

CERTIDÃO DE BATISMO DE MARIA LEONOR FREIRE, FUTURA VISCONDESSA DE SÃO LOURENÇO.

1821 – Impedido de desembarcar em Lisboa, quando acompanhou D. João VI de volta a Portugal, foi exilado em Paris pelos deputados da Corte Portuguesa, por seus princípios absolutistas e conservadores.

1827 – Morreu, em Paris, o Visconde de São Lourenço, Francisco Bento Maria Targini. (recorte de jornal).

RECORTE DE JORNAL COM A NOTÍCIA DA MORTE DE TARGINI EM PARIS

RECORTE DE JORNAL COM A NOTÍCIA DA MORTE DE TARGINI EM PARIS

 

IX – PUBLICAÇÃO EM PRESTIGIADA REVISTA FRANCESA DA ÉPOCA, QUE FAZ UMA PEQUENA BIOGRAFIA DE TARGINI, POR OCASIÃO DE SUA MORTE.

LISTE GENERALE DE PARIS – 1827                                                 BIOGRAPHIE  UNIVERSELE ANCIENE  ET MODERNE,      MICHAUD TARGINI V -4                                                                                   Pagina 566

TARGINI, FRANCISCO BENTO MARIA, Visconde de São-Lourenço, né à Lisbonne, en 1756, descendait par son père d’une famille italienne. Il cultiva de bonne heure la poésie, et se familiarisa avec les langues étrangères.

Cependant le manque de fortune le força à chercher une place, et il eut le bonheur d’en obtenir une au Tresor public, où ses connaissances en matière de comptabilité et son activité ne tardèrent pas à le faire remarquer par ses supérieurs.

Bientôt il obtint un emploi administratif important au Brésil, qu’il exerçait lorsque Jean VI, à la fin de 1807, transféra sa cour à Rio Janeiro.

Fallut alors donner une nouvelle organisation à toute l’administration, et Targini fut plaré à la tête de la trésorerie, où il fit preuve d’intelligence, el rendit des services à l’étal, quoi qu’en aient dit ses ennemis, jaloux de la faveur que lui accordait le roi. Ce prince le nomma commandeur de L’Ordre du Christ , el le créa vicomte de San Lourenço.

Lors des commotions qui eurent lieu à Rio de Janeiro par suite de la révolution de Portugal en 1821,il fut brusquement appelé à rendre sés comptes, ce qu’il fit sur-le-champ et avec une telle exactitude, que ses ennemis ne purent lui faire le moindre reprochetoutefois il fut destitué, et meme arrêté dans un moment d’effervescence, mais sou innocence ayant été reconnue, il fut remis en liberté.

Il prit alors le parti de quitter le Brésil, obtint à cet effet un congé illimité de Jean VI, et s’embarqua avec sa famille pour le Havre, où il débarqua et séjour a quelque temps; il se rendit ensuite à Paris, où il resida jusqu’à sa mort. Après une courte maladie, il fut saisi d’une attaque d’apoplexie, et expira le 18 mai 1827.

Ceux qui avaient, sur les bruits publics, cru qu’il avait amassé d’immenses richesses fureut fort étonnés à sa  mort de la médiocrité comparative de sa fortune.

Il avait épousé à Lisbone mademoiselle Deville, fille d’un négociant français, dont il n’a point eu d’enfants.

 (Nota: Francisco Bento Maria Targini, aos 35 anos,  casou-se em Lisboa, na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, pertencente à  Paroquia de São Nicolau, em 03/11/1791, com Maria Leonor de Santana Freire, nascida em  Anjos, Lisboa, em 1757. Deste casamento teve três filhas, que permaneceram no Brasil e aqui constituíram família. Notícias de uma segunda mulher, Marianne Deville, só se encontra nas publicações francesas).

 Targini a publié :

1 – Une traduction de ESSAY SUR L’HOMME, de Pope , en vers portugais, Londres – 1818 , 3 vol. Èdition magnifique, ornée de belles gravures. Cette traduction est assez fidèle, mais elle ne rend qu’ imparfaitement l’esprit de l’auteur; M. Targini l’a tellement surchargée de notes, que l’Enssay de Pope n’est qu’un très petit accessoire de l’ouvrage, dans lequel on trouve presque en entier version de la philosophie de Kant, par Villers, en forme de notes, et d’autres  morceaux d’une étendue démesurée.

2 – Le Paradit Perdu, de Milton , traduit en vers portugais, Paris, 1824. 2vol.  C’est une copie bien pâle du plus grand poête épique moderne.

Targini a laissé fort avancée une traduction de La Jérusalem délivré* du Tasse, dont la langue, plus rapprochée de celle du traducteur, et le genre plus analogue à celui des épopées portugaises, offraient de grandes facilités.

Il faut espérer que la partie de sou travail qui est terminée sera publiée par sa veuve. Ce littérateur possédait une instruction êtendue. Il est avait dans sa jeunesse acquis beaucoup de célébrité par plusieurs satires pleines de sel qui n`ont jamais été publiées.

TRADUÇÃO – Maria Sylvia Nogueira de Toledo

Liste Generale De Paris – 1827                                                Biographie Universele Anciene Et Moderne,                                               Michaud – TARGINI v -4                                                                                       Pagina 566

TARGINI, FRANCISCO BENTO MARIA, Visconde de São Lourenço, nasceu em Lisboa, em 1756, descendente, pelo lado paterno, de uma família italiana.

Cultivava com prazer a poesia e familiarizou-se com línguas estrangeiras.

No entanto, a falta de fortuna obrigou-o a procurar um serviço, e ele teve a felicidade de ser nomeado, ainda em Portugal,  para um cargo do tesouro público, onde seus conhecimentos em contabilidade e sua atividade em breve foram notados por seus superiores.

Logo conseguiu outro emprego administrativo importante, no Brasil, que exerceu até quando D. João VI, no final de 1807, transferiu sua corte para o Rio de Janeiro.

D. João VI, em face da necessidade de organizar a nova administração, nomeou Targini Tesoureiro Mor do Erário, onde ele deu prova de sua inteligência. Prestou bons serviços ao Estado, o que quer que tenha sido dito por seus inimigos, enciumados pelos favores que lhe eram concedidos pelo rei.

Esse Príncipe nomeou-o Comandante da Ordem de Cristo, e concedeu-lhe o título de Visconde de São Lourenço, da Monarquia Portuguesa.

Quando várias revoltas começaram a ter lugar no Rio de Janeiro, em consequência da revolução de 1821, em Portugal, ele teve de apresentar suas contas para análise, que foram encontradas feitas com tal precisão, que seus inimigos não puderam lhe fazer a mínima reprimenda.

No entanto, Targini foi demitido e mesmo preso em um momento de efervescência. Contudo, logo sua inocência foi reconhecida e ele foi posto em liberdade.

Tomou, então, a decisão de  deixar o Brasil. Obteve para isso a licença ilimitada de João VI e partiu com sua família para le Havre, onde desembarcou e permaneceu por algum tempo.

(nota do Blog – A família de Targini não o acompanhou nesta jornada, permanecendo no Rio de Janeiro).

Após o Havre, o Visconde de São Lourenço foi para Paris, onde residiu até sua morte.

Casou-se (Em segundas nupcias – Nota do Blog), com Miss Deville, filha de um comerciante francês, com quem não teve filhos.

(Nota do Blog – Francisco Bento Maria Targini, em 11/03/1791, aos 35 anos, casou-se em Lisboa, na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, pertencente a Paróquia de São Nicolau, com Maria Leonor de Santana Freire, nascida em Anjos, Lisboa, em 1757. Deste casamento teve filhas que permaneceram no Brasil e aqui constituíram família. Noticias de uma segunda mulher, Marianne Deville, só se encontra nas publicações francesas).

Após uma curta doença, sofreu um ataque de apoplexia e morreu a 18 de maio de 1827.

Aqueles que tinham dado ouvidos aos clamores públicos, acreditando que o Visconde de São Lourenço tivesse acumulado vasta riqueza, ficaram muito surpreendidos, após sua morte,  dos poucos bens que deixou, em  comparação com a fortuna que se alardeava possuir.

TARGINI publicou:

1 – Uma tradução do ensaio sobre o homem, Pope, Português, Worms, Londres – 1818, 3 Vol. Edição linda, adornada com belas gravuras. Esta tradução é bastante rigorosa, mas apenas imperfeitamente reproduz o espírito do autor;  era tão sobrecarregado com notas, que o Ensaio de Pope torna-se apenas um acessório muito pequeno do livro.

Todavia, como apêndice desta obra, encontramos quase na versão completa, traduzida do francês Villers, para o português, uma obra de  filosofia de Kant, sob a forma de notas e outras peças, de forma desproporcional.

2 – O Paraiso Perdido, de Milton, traduzido em versos portugueses, Paris, 1824. 2Vol. É uma pálida cópia do maior poeta épico moderno.

TARGINI deixou, fortemente avançada, uma tradução de Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, cuja língua, mais próxima daquela do tradutor, e o gênero mais semelhante dos épicos portugueses, oferecem grandes comodidades para sua tradução.

Espera-se que a parte de seu trabalho que se encontra terminada seja publicada por sua viúva.

Este autor teve uma vasta instrução. Adquiriu, em sua juventude muita fama por fazer várias sátiras, cheias de humor cáustico, que nunca foram publicadas.

 

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