FRANCISCO BENTO MARIA TARGINI, INTRODUTOR DA OBRA DE IMMANUEL KANT EM PORTUGAL E NO BRASIL

 

                IMMANUEL KANT

Francisco Bento Maria Targini, Visconde de São Lourenço, era profundamente culto. Além de ler e falar inglês, francês, italiano, espanhol e alemão, conhecia e lia com facilidade o grego e o latim. Gostava de compor poemas e dominava a arte da métrica, com facilidade. Foi assim que traduziu do inglês, para o português, com maestria, o poema épico “O Paraiso Perdido” de Milton, com anotações, para melhor compreensão, das referências feitas pelo poeta, aos personagens mitológicos e religiosos, que ilustram a história da revolta de Lúcifer contra Deus e a perda do Paraíso, por Adão e Eva.

Sua posição como Tesoureiro do Real Erário facilitava-lhe o uso da Real Biblioteca e mesmo lhe dava oportunidade de encomendar livros que o interessavam.

Foi assim que tomou contato com as mais modernas ideias filosóficas surgidas na Alemanha, de autoria de Immanuel Kant e logo adotadas na França, que indicavam uma nova perspectiva para os pensadores, no final do século XVIII e início do século XIX.

Targini tomou conhecimento da nova filosofia, conhecida como. Transcendental, ao ler o livro do francês Charles Villers que, em 1801, publicou um tratado sobre “A Filosofia de Kant ou Princípios Fundamentais da Filosofia Transcendental”.

Ao perceber a importância do pensamento kantiano, logo se dispôs a traduzir o livro de Villers.  Ao publicar sua tradução, Targini introduziu, em Portugal e no Brasil, o novo e revolucionário pensamento do filósofo alemão, o que muito contribuiu para que surgissem novos filósofos, de língua portuguesa, inspirados nos princípios da filosofia transcendental.